Apresentação
Já pode anotar na agenda: o Pint of Science 2026 será realizado em dois bares de Ituiutaba, nos dias 18, 19 e 20 de maio, sempre a partir das 19h. Durante três noites, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) vão compartilhar suas pesquisas em ambientes descontraídos, aproximando a ciência da comunidade de forma clara e acessível.
Criado em 2013, na Inglaterra, o festival acontece anualmente em diversos países e cidades do mundo, com a proposta de levar o conhecimento científico para além da universidade e estimular o diálogo com a sociedade.
Em Ituiutaba, a programação reúne palestras que dialogam com questões atuais e presentes no cotidiano. O público poderá acompanhar discussões sobre mudanças climáticas e seus impactos, os desafios da desinformação e das fake news, o uso da inteligência artificial em diferentes contextos, temas relacionados à saúde e qualidade de vida, além de reflexões sobre memória, sociedade e as relações entre ambiente e desenvolvimento. As apresentações são breves, dinâmicas e abertas a perguntas, incentivando a participação de todos.
Programação
18,19 e 20 de maio
19h
Brejaria Breja e Burger
R. Vinte e Seis, 1260 - Centro, Ituiutaba, Minas Gerais 38300-162
18 de maio
Rir da história: quando os acontecimentos viram piada
Marcelo Santos de Abreu
A história é vista muitas vezes como algo muito sério ou triste. Porém, a gravidade da história passada e presente, distante e vivida, desperta reação não menos séria: o riso. Rir da história talvez seja a forma mais crítica de pensá-la.
O machismo já foi "legal"
Deíse Camargo Maito
O que hoje parece absurdo já foi considerado normal pelo Direito. Durante muito tempo, diferentes formas de violência contra a mulher foram invisibilizadas, justificadas ou tratadas como questões privadas. Os direitos das mulheres não foram simplesmente dados pelos homens. Movimentos de mulheres lutaram muito para que tivéssemos a legislação que temos hoje. Conversaremos sobre como o Direito foi mudando ao longo da história, quais avanços foram conquistados e o que ainda precisamos avançar para combater a violência de gênero no Brasil.
19 de maio
Quando o clima muda, a injustiça aparece
Antônio de Oliveira Junior
A palestra discute como a crise climática não apenas intensifica eventos extremos, mas também torna mais visíveis as desigualdades já existentes nas cidades. A partir de exemplos como ondas de calor, enchentes e deslizamentos, argumenta-se que os impactos das mudanças climáticas revelam uma geografia da injustiça: determinados grupos sociais, especialmente populações periféricas, negras e de baixa renda, estão sistematicamente mais expostos aos riscos e possuem menos condições de proteção e recuperação. O debate incorpora o conceito de racismo ambiental para evidenciar como decisões históricas de planejamento urbano, uso do solo e distribuição de infraestrutura produziram territórios desiguais, nos quais o risco climático é socialmente concentrado. Assim, a crise climática atua como um “amplificador” dessas desigualdades, escancarando vulnerabilidades que já estavam presentes, mas muitas vezes invisibilizadas. Por fim, a palestra propõe uma reflexão sobre resiliência urbana, questionando quem, de fato, consegue se adaptar às mudanças em curso. Defende-se a construção de políticas públicas mais justas e territorialmente sensíveis, que articulem adaptação climática com justiça social, reconhecendo que enfrentar a crise climática implica, necessariamente, enfrentar as desigualdades estruturais que moldam o espaço urbano.
Quem programou o preconceito? Quando a IA aprende nossos vícios
Denis José Almeida
Como os algoritmos moldam nossa realidade? Esta palestra percorre a trajetória da IA para explicar o surgimento da discriminação algorítmica. Analisa-se como vieses de raça, gênero e classe infiltram-se no código, tornando as desigualdades invisíveis. Ao confrontar o mito da neutralidade tecnológica, a discussão aponta o reconhecimento de vieses como requisito indispensável para uma tecnologia verdadeiramente ética e justa.
20 de maio
Onde foi parar o cientista que eu era?
Paulo Vitor Teodoro
Antes mesmo de aprendermos a ler ou escrever, já formulávamos hipóteses, fazíamos testes e observávamos o mundo com um olhar de curiosidade. Esse movimento, em alguns casos, continua hoje entre as paredes rígidas de um laboratório — para os cientistas de carreira; mas, em outros, acaba silenciado pelo excesso de telas. Nesta conversa, convidamos o público a fazer um resgate de suas primeiras curiosidades. Vamos debater como o conceito de 'ser cientista' foi burocratizado e como a hiperconectividade digital está criando uma geração de espectadores. Entre um gole e outro, vamos reconstruir a ideia de que a ciência não é somente um diploma na parede, mas um estado na própria formação que floresce quando abrimos janelas e permitimos que o erro, a dúvida e a exploração voltem a fazer parte do nosso cotidiano.
Estudos revelam... será? Ciência ou um título chamativo?
Diélen Borges (Palestrante)
Todos os dias, somos inundados por conteúdos: notícias, memes, opiniões e também desinformação. No meio disso tudo, como saber em quem confiar quando o assunto é ciência? Nesta conversa, vamos abordar como a divulgação científica funciona na prática, o papel dos pesquisadores e dos jornalistas nesse processo e, principalmente, como você pode encontrar e reconhecer conteúdos confiáveis, inclusive nas redes sociais.
18,19 e 20 de maio
19h
Cervejaria Ituiutaba
Av. 19, 1113 - Centro, Ituiutaba, Minas Gerais 38300-124
18 de maio
E se a saúde não fosse só humana? O que a pandemia ensinou sobre viver em rede
Karine Rezende de Oliveira
A pandemia de covid-19 serviu como um lembrete importante de que a saúde humana não existe em um espaço neutro. Esta palestra explora a transição de um modelo de saúde reativo e isolado para a estratégia de Uma Unica Saúde, uma abordagem integrada que reconhece a interdependência fundamental entre a saúde humana, a saúde animal e o equilíbrio dos ecossistemas.
Da prateleira ao feed: como os novos hábitos de consumo estão mudando nossas escolhas
Jussara Goulart da Silva
Os hábitos de consumo mudaram e muito. Hoje, consumidores não compram apenas produtos: compram experiências, valores, conveniência, identidade e pertencimento. Nesta palestra, vamos conversar de forma leve e instigante sobre como as transformações tecnológicas, as redes sociais, a busca por praticidade, a preocupação com sustentabilidade e as mudanças no estilo de vida têm redefinido a maneira como consumimos. Por que escolhemos determinadas marcas? O que nos influencia mais: preço, propósito, indicação digital ou impulso? Como o consumo mudou com o avanço dos aplicativos, do marketing de influência e da economia da experiência? Em um ambiente descontraído, a proposta é aproximar ciência e cotidiano para mostrar que o consumo diz muito sobre a sociedade, sobre nossas emoções e sobre as novas formas de viver, trabalhar e nos relacionar.
19 de maio
Copiar, colar e confiar?
Rogério de Castro Ângelo
Quando pedimos ao ChatGPT para escrever um texto, quem é o autor? Essa pergunta, que parece simples, está sacudindo as bases da produção acadêmica — e da própria ideia de autoria. No Pint of Science, vamos explorar como as Inteligências Artificiais Generativas estão transformando a forma como escrevemos, pensamos e assinamos nossas ideias. A partir da Análise do Discurso, uma área da Linguística que entende a autoria não como algo individual, mas como um efeito da linguagem e da história, discutiremos o que muda (e o que permanece) quando uma máquina entra na conversa. Também vamos falar sobre como as instituições estão reagindo a tudo isso — incluindo as novas diretrizes da CAPES sobre o uso de IA em pesquisas acadêmicas. Venha tomar uma e debater: afinal, num mundo com IA, o que significa ter uma voz própria?
A maravilhosa arte de viver às custas dos outros
Marco Miguel de Oliveira
Ao contrário do que o senso comum sugere, o parasitismo não é uma forma preguiçosa de sobrevivência, mas sim uma das estratégias evolutivas mais complexas e bem-sucedidas. A palestra desmistifica a visão puramente negativa dos parasitas, explorando-os como verdadeiros mestres da adaptação e especialização. Será abordado o delicado equilíbrio estabelecido entre parasito e hospedeiro, assim como as implicações dessa relação e o que o hospedeiro pode tirar de bom disso. "Viver às custas dos outros”, no fim, exige uma extraordinária sofisticação biológica.
20 de maio
"E a gente vai tomando que também sem a cachaça ninguém segura esse rojão"
Roger da Silva Wegner
Entre um chope e outro, a palestra propõe uma conversa leve e descontraída sobre a Síndrome de Burnout, mostrando como a correria, a pressão e o excesso de responsabilidades podem levar ao esgotamento físico e mental. De forma acessível, vamos falar sobre sinais de alerta, saúde mental e caminhos para viver com mais equilíbrio no dia a dia.
Cérebro em greve: porque às vezes desligar é a última saída
Eduardo de Freitas Bernardes
Você já acordou cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono? Sentiu que a sua memória falha, que as pequenas tarefas viram montanhas, que nada mais dá prazer? Isso pode ser burnout – e a Ciência tem muito a dizer sobre isso. A Síndrome de Burnout é frequentemente confundida com preguiça, fraqueza ou "frescura". No entanto, a Ciência mostra que se trata de uma resposta mensurável do organismo ao acúmulo de estresse crônico no trabalho, afetando memória, imunidade, sono e prazer. Vivemos em uma cultura que ensina a ignorar o cansaço. Burnout não é sobre 'dar conta' ou 'não dar conta'. É sobre um corpo que, silenciosamente, entra em greve. O que a Ciência mostra é que pequenas mudanças – pausa sem culpa, limites claros, descanso real – funcionam melhor do que qualquer solução mágica. Nesta palestra, desmistificamos o burnout, apresentamos os sinais de alerta e discutimos estratégias baseadas em evidências para prevenção e cuidado – sem promessas milagrosas, mas com gestos possíveis no dia a dia.






